Hoje trazemos-te uma entrevista muito especial, de uma menina que não deixou que o bullying tomasse conta dela. Hoje vais ficar a conhecer a Diana Ginja, e temos a certeza que não lhe vais ficar indiferente! 🥰
“Adoro fazer pequenos gestos para fazer os outros sorrir”
- Quem é a Diana Ginja?

“Sou uma menina de 10 anos, que sempre foi muito amada e feliz…”
“Valorizo muito a minha família, são um dos valores mais importantes da minha vida, juntamente com os meus amigos e amigas. Amo facilmente, respeito toda a gente, sou bondosa, corajosa e há quem diga que sou inspiradora. No fundo acho que sou tudo aquilo que gosto que sejam comigo! Considero-me uma boa amiga e estou sempre disponível para ajudar… Adoro fazer pequenos gestos para fazer os outros sorrir, ou para tornar o seu dia num dia um pouco mais feliz.
Sou também teimosa, diz a minha mãe! Determinada, digo eu! Gosto de ser eu própria, de me dar e mostrar aos outros tal como sou, sem medos ou preconceitos… Porque acredito mesmo que todos somos incríveis apesar de sermos todos diferentes.”
“Foi uma aprendizagem para mim”
- Conta-nos um bocadinho da tua história, como é que chegaste até aqui?
“Eu sempre fui uma criança muito feliz, que adora pessoas, que adora descobrir o mundo! Adoro conversar com crianças e adultos, adoro aprender, sou muito boa aluna… Gosto mesmo de aprender coisas novas! Valorizo muito a amizade e por isso quando pessoas próximas fazem coisas de propósito para me magoar, é algo com que ainda hoje não sei lidar muito bem… Porque me magoam mesmo pois eu penso sempre no lado bom das coisas e das pessoas… Durante o terceiro ano, mas muito mais intensamente no 4º ano, o recreio da escola começou a ser muito complicado para mim… E eu sinceramente não entendia muito bem porquê, mas tudo era um motivo para me excluírem de alguma brincadeira, para gozarem ou para me meterem de parte…“
“Até que me deixei afetar de tal maneira pelo que ouvia, e por estar constantemente a ser deixada sozinha que eu própria me comecei a isolar… Não entendia o porquê (ainda hoje não entendo) e isso deixava-me ainda mais triste… No fundo foi uma aprendizagem também para mim… Hoje em dia quando vejo uma atitude menos boa de outra criança, pergunto-me logo “será que está com algum problema em casa? Será que está com alguma dificuldade? Será que posso ajudar?” Porque às vezes é só isso mesmo… Outras é pura maldade… Mas é importante saber ver os vários lados, perceber os comportamentos… E só consegui fazer isso depois de aprender a lidar com as minhas próprias emoções e sentimentos, que foi também o que eu fiz durante estes últimos anos com a ajuda da minha família e da minha psicóloga…”
“Fechei-me muito no meu mundo, perdi um pouco do meu brilho”
- Sabemos que sofrer bullying em qualquer fase da vida é mau. Mas sendo tu uma menina tão nova, como é que aprendeste e lidaste com isso?
“Ao princípio fiz o que se costuma fazer, que foi isolar-me… Fechei-me muito no meu mundo, perdi um pouco do meu brilho e da minha alegria… Mudei o meu comportamento em casa, fiquei mais calada… Mas graças à atenção da minha família, que me deu a mão e me fez desabafar sobre o que se passava comigo, rapidamente saí do sítio onde estava a entrar… E conversei muito com as pessoas da minha vida, ouvi os seus conselhos e comecei a conseguir que o que me estavam a fazer na escola deixasse de me afetar… E foi nessa fase também que comecei a escrever, muito! Como ficava muitas vezes sozinha no recreio da escola, sentava-me a escrever, a desabafar…”
“Reflete aquilo que eu gostava de encontrar no mundo que nos rodeia”
- Tens um livro, o “Beliscaram a minha felicidade!”, que escreveste depois de passares uma fase difícil. Fala-nos um bocadinho dele, de que é que ele fala, o que podemos encontrar nele?

“Pois o meu livro nasce mesmo da minha necessidade de colocar cá fora tudo o que estava a sentir e que me estava a fazer mal… Fui escrevendo em folhas soltas, em cadernos, no computador… E no final, quando relemos tudo o eu tinha escrito, estava tão bonito que pensámos que fazia sentido tentar editar um livro, pois pode realmente ajudar outras crianças que estão a passar pelo mesmo, e até adultos!
Porque o meu livro reflete aquilo que eu gostava de encontrar no mundo que nos rodeia, no meu caso no recreio da escola, mas que nem sempre acontece… E que ferramentas devemos usar para lidar com isso. Porque tudo começa em nós… Nós temos de nos aceitar primeiro como somos, com todas as nossas diferentes características e gostos diferentes também… Porque se formos confiantes as coisas deixam de nos afetar tanto, deixam de nos conseguir tirar a paz e a felicidade… E se soubermos identificar o que estamos a sentir, se soubermos arrumar todas as nossas emoções e sentimentos no lugar certo, se não mudarmos só para agradar os outros, somos capazes de ultrapassar todas as fases menos boas que vão surgindo na nossa vida.”
“Vai melhorar muitas vidas!”
- Sempre gostaste de escrever? Gostavas de lançar outros livros?
“Sempre! Escrevo desde que me lembro em diários… Escrevo sobre tudo… É a escrever que normalmente me resolvo, além de a conversar, claro.
Adorava escrever outro livro, já estou a trabalhar nele, mas para já quero escrever dentro desta perspetiva de ajudar os outros. Quero mesmo muito que o meu livro (e outros que venham) chegue a muita gente, porque tenho a certeza que vai mesmo melhorar muitas vidas!”
“Ajudar outras crianças que neste caso passam pelo mesmo que eu passei”
- O que é que te inspira?
“O que me inspira é a grande vontade que tenho de tornar este mundo num lugar melhor! Com mais amor, mais empatia, mais cuidado pelo outro, mais respeito. É o ser capaz de ajudar outras crianças que neste caso passem pelo que eu passei, ou evitar que outras tantas também passem por isso.”
- Qual é o teu maior sonho?
“A resposta óbvia para mim seria ser feliz! Mas o meu maior sonho é mesmo acabar com a maldade e a fome no mundo! Ajudar pessoas, ajudar crianças, fazer algo de bom todos os dias… Com pequenos ou grandes gestos, mas ajudar sempre!”
” O que os outros dizem sobre nós diz mais sobre eles próprios”
- Que conselho queres deixar a todas as pessoas, que tal como tu, sofrem e já sofreram de bullying?
“Que não se isolem! Que não se esqueçam que o que os outros dizem sobre nós diz mais sobre eles do que sobre nós… E que não se deixem afetar! Sejam fortes, denunciem, façam-se ouvir… Porque todas as pessoas têm o direito de ser felizes e de serem tal como são. Ignorar também ajuda, porque normalmente quem faz bullying alimenta-se do medo dos outros e do facto de estar a afetar a outra pessoa. Ignorar, falar, trabalhar autoestima, pedir ajuda sempre! Podem falar comigo sempre que quiserem também.”
- Hoje em dia, és uma criança feliz?
“Sim, muito! Tenho uma base de apoio muito garande e uma estrutura familiar muito forte. Hoje sou uma menina muito mais forte, confiante, corajosa e com muito mais certezas. Hoje acho que sou capaz de conquistar tudo o que quiser, mesmo que existam pessoas que me digam que não. Acredito em mim, no que desejo, e nas pessoas que são importantes para mim”
“Sou a Diana Ginja que usou uma má fase da vida para fazer algo bom”
- Eu sou BOLD porque…
“….porque sou do jeito que sou! Incrível tal como sou. Sou a Diana Ginja que usou uma fase má da vida para fazer algo bom para encontrar novamente a felicidade e para ajudar os outros. Sempre serei assim, única, conquistadora, sonhadora, corajosa e muito preocupada com o mundo que me rodeia! Sou eu própria e serei sempre 😊 Eu acredito mesmo que todos têm algo especial dentro de si, e que devemos valorizar isso em nós e nos outros.“
Diana Ginja
Como podes ver, a nossa idade não diz nada sobre nós. Acabaste de ler a entrevista de uma menina de 10 anos que pegou nas experiências menos boas que viveu, que a fizeram crescer bastante, e agarrou nisso para ajudar outras pessoas.
Se fores vítima de bullying, não aceites, procura ajuda! Vamos deixar-te aqui um dos nossos artigos onde podes encontrar quais são as linhas de apoio a quem podes pedir ajuda.
Vamos deixar-te também aqui o instagram da Diana para que a possas seguir e acompanha-la no seu trajeto!
Instagram – @autora_diana_ginja_
Queremos agradecer mais uma vez à Diana por nos deixar partilhar a história dela e esperamos que consiga ajudar ainda mais gente do que já ajudou ❤️
Até ao próximo artigo!

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